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O coração aos 50.

Você acordou hoje com 50 anos?

Para a mulher essa é uma idade de transição, e portanto, de adaptação.

É a idade do climatério e da menopausa, quando os ovários deixam de produzir os estrógenos e a mulher pára de ovular.

A deficiência do estrogênio impacta de maneira complexa sobre os vários órgãos e sistemas, e pode reduzir a qualidade de vida e a longevidade da mulher.

Com o sistema cardiovascular, a relação é bastante imbricada. A doença isquêmica cardíaca surge na mulher cerca de 10 anos mais tarde que no homem, após a menopausa. Existem diferenças deste acometimento, sendo que nas mulheres é doença difusa, menos calcificada, doença da microcirculação. Nos homens acomete grandes coronárias com lesões calcificadas.

A pressão arterial também tende a subir na menopausa e 30 a 50% das mulheres desenvolvem hipertensão antes dos 60 anos.

A composição corporal se altera com acúmulo de gordura visceral e redução da massa muscular. O fígado produz mais radiais livres e altera o perfil lipídico, sendo que o LDL sobe 10 a 15%, o HDL tende a diminuir. Há um ambiente metabólico inflamatório e há aumento da resistência à insulina.

Na menopausa, o sistema nervoso simpático fica hiperativo e são comuns as ondas de calor e sudorese, o aumento da frequência cardíaca.

A reposição hormonal é eficiente em aliviar esses sintomas. Mulheres que iniciam a reposição hormonal antes dos 60 anos tem uma redução do risco cardíaco de 30%. Isso depende do tipo de reposição, da dose e da via de administração (vaginal, transdérmica, via oral), e também da idade da paciente ao iniciar a terapia.

O risco mais temido da reposição hormonal é o câncer de mama. Cada mulher deve ter seu risco individual considerado na tomada de decisão para o início da terapia de reposição hormonal. Mulheres que tenham infartado ou que sejam de alto risco cardiovascular podem ser desaconselhadas a fazer a reposição hormonal.

Assim, para mitigar os efeitos da deficiência hormonal, a mulher de 50 anos deve manter um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, boa qualidade de sono e muita atividade física. Essas atitudes contribuem para reverter os efeitos metabólicos adversos e a manter o peso, contribuindo também para prevenção de depressão. A mulher de 50 anos tem experiência de vida, história para contar, e no entanto, precisa se conscientizar desta transição e se cuidar. Assim, fará uma travessia para a longevidade com qualidade de vida.

Referência: European Journal of Preventive Cardiology doi:10.1093/eurjpc/zwaa031

                            European Heart Journal (2021) 00, 1–18 doi:10.1093/eurheartj/ehaa1044

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