Fora de ordem

Dor de estômago, refluxo e gastrites

Os problemas de digestão estão entre os sintomas mais frequentes na nossa rotina. Quem nunca sentiu uma queimação ácida ou dor “no estômago” após comer pizza exageradamente, por exemplo? Ou já ficou se sentindo com “a barriga estufada” por algo que não caiu bem? Essas sensações desconfortáveis, que incluem dor ou queimação no peito ou no abdômen, distensão, saciedade e eructações caracterizam o que chamamos de dispepsia.

A dispepsia afeta até 40% da população, com grande impacto no bem estar populacional. Chega a ser 30% das causas de faltas no trabalho ou às aulas, e são frequentes motivos de idas a pronto-socorro. Existem dois aspectos que precisam ser considerados: o primeiro, sem dúvida, é conseguir aliviar os sintomas o mais rápido possível; o segundo é esclarecer a causa do desconforto, certificando-se que não existem doenças graves como causa.

Felizmente, na imensa maioria dos casos, a dispepsia tem causa funcional, ou seja, não ocorre por doenças orgânicas graves. A dispepsia funcional está mais correlacionada ao estilo de vida que levamos. E isso inclui não só o tipo de alimentos, mas a quantidade, a frequência, o modo como fazemos as refeições. Assim, pessoas ansiosas e ou deprimidas, que vivem sob elevada pressão na vida urbana e consumista, que ingerem alimentos mais gordurosos, os fumantes estão mais sujeitos à dispepsia. O uso concomitante de medicamentos – principalmente os anti-inflamatórios e antibióticos, consumo abusivo de bebida alcoólica e café, o cigarro são fatores que influenciam negativamente. Por fim, devemos lembrar que as mulheres, os obesos e os portadores da bactéria Helicobacter pylori também são mais frequentemente acometidos por esses sintomas.

Quem tende a ter mais dispepsia funcional?

É interessante ressaltarmos a importância das emoções nos sintomas digestivos, já mencionada por Cláudio Galeno, na Grécia Antiga, bem como exaustivamente explorada nas Medicinas Ayurveda e Tradicional Chinesa. Entretanto, a Ciência moderna resistiu mais a aceitar esse conceito, seguindo René Descartes, que, no século XVII separou a mente (res cogitans) do corpo como máquina (res extensa).  Mais recentemente, no século XX, com o grande avanço no conhecimento das vias neurais, dos neuro-hormônios, da fisiopatologia, essa correlação veio sendo reestabelecida. Ou seja, é possível, sim, sentir “borboletas no estômago”!

Quando é preciso fazer exames em busca de outras causas para a dispepsia?

Assim, percebemos que para se ter uma boa saúde digestiva é preciso cultivar bons hábitos de saúde como um todo. Precisamos dar especial atenção aos nossos aspectos emocionais, cuidar da saúde mental. E, claro, escolher bem os alimentos, manter o peso adequado, não abusar de álcool, café e gorduras, não fumar, não se automedicar e procurar cuidados médicos regularmente.

Referências bibliográficas:

  1. Moayyedi et al. ACG and CAG Clinical Guideline: Management of Dyspepsia. The American Journal of Gastroenterology 2017; 112:988.
  2. Drossman & Hasler. Rome IV – Functional GI Disorders: Disorders of Gut-Brain Interaction. Gastroenterology 2016; 150:1257.

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