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Beber e Dirigir: o bafômetro é confiável?

Você já foi abordado em uma blitz da lei seca?

        No Brasil, desde 2008, a lei seca implementou a tolerância zero à ingestão de álcool por motoristas. Qualquer quantidade de álcool detectada no sangue ou no etilômetro (mais conhecido como bafômetro) passou a ser compreendida como crime, segundo o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), e não mais infração administrativa, como era antes. E o motorista pode ser enquadrado apenas por ter sido detectado em uma testagem aleatória, sem que tenha se envolvido em uma situação de risco.

        O bafômetro detecta a quantidade de álcool no ar exalado pelos pulmões. Para níveis iguais ou maiores que 0,3 mg/L, considera-se que o motorista ingeriu bebida alcoólica recentemente. Como todo teste, está sujeito a imprecisões. O contato com álcool nos últimos 10 ou 15 minutos pode fazer com que o resíduo presente na boca superestime o resultado. Por exemplo: ter ingerido um bombom com alguma quantidade de licor. O refluxo gastroesofágico e o diabetes descompensado também podem superestimar o resultado. Até o uso de álcool gel em abundância nas mãos, dentro do carro fechado, pode fazer com que o teste do bafômetro seja reagente. Nesses casos, a repetição após alguns minutos consegue esclarecer o correto.

        Lendas urbanas bastante difundidas dão dicas para enganar o bafômetro: fazer bochecho com enxaguante bucal, comer doces, pimenta, tomar vinagre, fumar um cigarro, usar vitamina B6, beber refrigerante… Alguns mais exóticos orientam chupar uma moeda de cobre ou comer papel higiênico (!). Mas, para decepção dos infratores, o ar analisado pelo aparelho é o proveniente dos pulmões, que não é afetado por estes truques. O álcool é rapidamente absorvido e cerca de 30 a 45 minutos após atinge já o pico de concentração no sangue. A metabolização no fígado ocorre lentamente, e varia bastante de pessoa para pessoa. Depende das características genéticas, se a pessoa consome habitualmente e de suas condições gerais de saúde, entre vários fatores. Pode demorar até 10 horas para não ser mais detectado no sangue.

O fato é que beber lentifica os reflexos e prejudica a coordenação motora. As estatísticas comprovam que a lei seca já conseguiu proteger milhares de vidas, mas o consumo de álcool segue sendo, ainda hoje, uma das principais causas de mortalidade nos acidentes de trânsito. Algumas pessoas questionam o rigor excessivo da lei, enquanto outras acham que a fiscalização ainda é ineficaz. Só não há dúvidas que álcool e direção automotiva não combinam.

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